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domingo, 19 de abril de 2020

Nicolau, o Glorioso



Por Carlos Madeira
Nesses tempos de coronavírus, a cidade de São Luís vai sentindo, em praticamente todos os seus bairros e comunidades, a dor implacável do luto.
Em diversos lares as famílias vão sendo desfalcadas de entes queridos, que morrem abatidos por essa tragédia e não podem sequer sepultá-los dignamente; o direito às últimas homenagens, aos agradecimentos pelo que representaram em vida, é substituído pelo assombro pelos dias que ainda virão.
E assim os mortos seguem para o sepultamento praticamente como indigentes, com quase ninguém a lhes acompanhar.
Hoje, dentro deste cenário de tragédias, São Luís perde um de seus filhos mais emblemáticos: Nicolau Duailibe Neto!
Com Nicolau, neste dia aziago de abril, não morre apenas o industrial, o visionário que criou o Café Caravelas, que tantas vezes consumíamos em nossa infância no Bairro de Fátima, que ainda hoje faz parte do imaginário de tantas gerações, não morre apenas o desportista, aquele cuja imagem se confundia com a própria imagem do seu Maranhão Atlético Clube, o Bode Gregório, o Glorioso, o Demolidor de Cartazes; morre também, e principalmente, um apaixonado por São Luís, aquele que fez por essa cidade mais que muitos dos seus gestores…
Ficarão em minhas lembranças a imagem daquele senhor elegantemente vestido, com seu indefectível radinho de pilha colado aos ouvidos, nas tardes de domingo no Nhozinho Santos, no Castelão; um apaixonado pela magia do futebol!
Vou lembrar, hoje, dos gênios do futebol que vi jogar em vários Samarás – Sampaio x Maranhão -, sob o olhar apaixonado de Nicolau: Riba, Euzebio, Djalma Campos, Rosclin…
Hoje, Nicolau não terá, por conta desses dias de pavor, as homenagens derradeiras! Que tragédia para a cidade não poder reverenciar publicamente um dos seus melhores filhos; as homenagens ficarão, porém, nos corações dos que amam a cidade, conhecem sua história, conhecem os seus grandes emblemas…
Hoje, como Nicolau e Zeca Baleiro, este torcedor tão apaixonado pelo MAC, somos todos maqueanos

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